domingo, 18 de janeiro de 2015

Para onde direcionar o nosso foco?



Foco em nosso umbigo? Foco no Cliente? Foco do Cliente?

Pois é, apenas usando o ITIL como uma base ou referência, por ocasião do anúncio da versão 2, a palavra de ordem era PROCESSO, e as suas disciplinas eram vistas como conjuntos de Boas Práticas e o Processo a ser seguido a partir do consenso, e de experiências bem sucedidas. Perfeito.

E chegou a versão 3 com o discurso voltado para SERVIÇO, e seu Ciclo de Vida.
E, a partir daí começa a ficar bem mais visível e delineada no horizonte a seqüência de atividades ou operações visando a entrega ou disponibilidade de um Serviço.
E quando se fala em Serviço, vem à tona com mais clareza e naturalidade a idéia e a presença do Cliente.

Cliente... pois é. Mas mesmo com este conceito e esta luz de atenção bem acesa em nossas mentes, ainda existem algumas sutilezas que precisam ser entendidas e esclarecidas, e creio que estamos então, diante de três cenários: Foco em nosso umbigo, Foco no Cliente e Foco do Cliente.

Foco em nosso umbigo – fica parecendo aquela história de estarmos preocupados com nós mesmos, e então olhando e prestando contas sempre a nossos superiores e estes a seus superiores e assim por diante na escadaria acima. Cada qual querendo sair bem na foto.
Horrível, horrível isso. Péssimo.

Foco no Cliente – tem uma característica muito sutil; fica parecendo – ou é isso mesmo – que uma das partes (nós, as empresas, as organizações, as concessionárias, os fornecedores, os prestadores de serviços, etc) imagina e se esmera em especular o que o Cliente espera de nossa parte e de nossos pares e de nossas organizações. E neste momento cometemos um erro: imaginar o que o Cliente quer, ou deseja, ou espera, sem que se desenvolva um esquema para ouvir ou saber efetivamente o que ele espera, ou quer, ou deseja.

Foco do Cliente – sim, este é o ponto. O que o Cliente espera, seus desejos, necessidades, expectativas, em relação às suas interações conosco, com nosso pessoal, com nossa empresa ou organização. E isso só iremos conseguir através de contatos, interações, consultas, relacionamentos, experimentos pessoais.

E ele, seguramente, espera ser ouvido, ter suas reivindicações atendidas, espera que ouçamos seus desejos e necessidades, e não que os estimemos por nós mesmos. E espera que sejamos honestos em nossas exposições e apreciações, sem mentiras, sem exageros, sem atropelos, sem que os sufoquemos discorrendo sobre as muitas características e funcionalidades de nossos bens e produtos, e sim que possamos discorrer sobre suas necessidades ou carências ou expectativas e aí sim, poder vir a configurar uma solução que o atenda. E isso segue sendo bem raro nos dias de hoje. Porque para muitos pode significar um aumento no ciclo da venda contrariando a expectativa dos profissionais de nossa linha de frente. Mas, com toda certeza, começa a sedimentar um relacionamento de confiança, duradouro que começa a delinear o caminho no sentido de fidelizar a relação; e isso, com toda certeza, prenuncia bons resultados a médio e longo prazo.

Problemas acontecem ? Sim, lógico, sempre; e os Clientes sabem disso.
O aspecto importante e que muitos não se dão conta é que os Clientes querem saber de que forma vamos nos comportar diante destes problemas. Assumindo a questão, tomando para nós a responsabilidade pela condução e acompanhamento do processo, dando ciência e informando sempre o Cliente sobre sua evolução, nos tornando o Ponto Focal até que o problema finalmente seja resolvido.

Abraços.

Rui Natal





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